domingo, 5 de agosto de 2012
Meia Noite e Trinta e Cinco
Por Tamires Santana
De olhos fechados não me vejo
De boca fechada não sou eu
Com pecado e perdão
Com rebeldia e missão
Não me curvo a inércia
Muito menos a traição.
terça-feira, 3 de julho de 2012
O sono e a morte andam juntos
Por Tamires Santana
Certa vez, a Luz, a mais irradiante de todas da
criação divina, resolve presentear o Homem, ser recém-criado por Deus, curioso
e que ainda descobria o mundo. Luz gostava do jeito ainda ingênuo do Homem e de
como era atencioso com a Natureza; Decide então, demonstrar o seu pequeno
carinho e, em uma leve caixinha, embrulhada com penas de pavão e amarrada com cipó
de ouro, havia dentro o prazer mais puro que já
existiu até então: o ato de dormir.
Deus, vendo todo o carinho que Luz sentia, se comove
e, sabiamente, sem que o presenteador e o presenteado soubessem, coloca dentro
da caixinha um pequeníssimo embrulho, enrolado com mistério e que abrigava o
despertar. Ao ser presenteado, o Homem irradia felicidade por todos os lados,
pois está maravilhado e muito agradecido.
As Trevas, imersa na escuridão, atingida pela
irradiação da felicidade do Homem e ínvida que só, não gosta nem um pouco de
ser incomodada, ainda mais por quem ainda nem ao menos sabia direito pra que
veio ao mundo. Ao tomar ciência do sucedido, fica arretado e arruma argumentos
o suficiente que inspiram uma tal de vingança, sabe lá do quê e porque.
Como não podia expor toda maldade que o acompanha,
precisava ser sutil para não chamar a atenção. Sendo assim, sentou-se embaixo
de uma figueira e, após séculos arquitetando, risca com um graveto todo o plano
maquiavélico na terra e percebe que precisaria de ajuda.
Caminha sete anos pelos desertos até encontrar
Sopro, irmão mais novo de Brisa, filho da Vida e que há tempos reclamava a
muitos daquelas áreas secas que desejava melhorar de função. Sopro era ajudante
geral da Natureza e sua função era movimentar, balançar e agitar coisa ou outra
esteja presente no fogo, na terra, na água ou no ar. Malandramente, Trevas fala tudo o que Sopro
desejava ouvir e, como a nova função de nada atrapalharia seus serviços atuais,
tratou logo de travar acordo com Trevas.
Um dia, enquanto Homem se deleitava com o presente
dado por Luz e Deus, Trevas aparece em um sonho, vestido de reflexo, envolvendo
o Homem com a sua própria imagem. Foi quando lhe confiou à palavra contando que
receberia um segundo presente, desta vez, bem mais interessante e escolhido direto
por Deus, único e poderoso que só Ele. O homem, curioso como sempre, pergunta
onde e quando se depararia com tamanha divindade. Trevas responde que tudo virá
como um sopro, manso e fresco.
Acordado e maravilhado, o Homem anseia tal momento.
O tempo passa e quando menos espera, um lindo embrulho aparece. O Homem se
apressa ao abri-lo e ao tentar levanta-lo, sente-o extremamente pesado e gélido.
Intrigado, se pergunta o porquê de tamanho peso num pacote tão pequeno. Coisas
de Deus, pensou ele. Delicadamente começa a desenrolar até que antes de desatar
o último laço, se depara com uma sensação de medo. Sopro, que a essas alturas
tudo observava e estava escondido, o atinge com um bocado de coragem, fazendo o
Homem seguir adiante.
Ao abrir, vê algo extremamente negro e nunca visto
antes, nem mesmo parecido. Por mais que tentasse tirar, não conseguia. Foi
quando Sopro se apresenta e pergunta se deseja sua ajuda. Lembrando-se do sonho
que tivera certa vez, aceita. Sopro assopra o negro funesto no Homem, o que o
mata instantaneamente. O plano com perfeição foi efetuado. Homem morreu antes
da chegada do Tempo, satisfazendo os caprichos de Trevas.
Deus, chegando de mais um dia de criação, descobre a
façanha de Trevas e Sopro e, antes mesmo de pensar em puni-los por tamanha
inconsequência, convoca a presença imediata de Vida e seu filho Sopro, este ciente
de seus atos, fica apreensivo com o que poderia vir acontecer. Após ouvir
calmamente as queixas de Sopro sobre suas funções e sob o argumento de que o
sono e a morte andam junto, Deus o perdoa.
Deus leva o Homem para o alto da montanha mais alta e
o divide em duas partes. Com a ajuda de Luz, cria o espírito e o guarda na primeira
parte do Homem. Designa à Vida a responsabilidade em guiar o espírito do Homem
para a Eternidade. Já a segunda, recria o corpo mortal, agora um pouco mais forte
e com alguns defeitos, pois só assim poderá fortalecer-se ao buscar a Perfeição.
Deixa a cargo de Sopro direcionar o corpo mortal para as boas ações, sob a
condição de que não poderia interferir nas escolhas do Homem, nem contar sobre
o futuro, apenas adverti-lo sobre uma coisa ou outra. Em caso de dúvidas, tanto
Vida quanto Sopro poderia procurar os Anjos, pois estes respondem por Deus nos
dias que estiver fora para assuntos emergenciais.
Com Trevas, Deus teve uma séria conversa entre pai e
filho e clamou para que ele nunca mais fizesse o que fez. Mandou-o de volta
para a escuridão, que a essa altura, sem comando algum, já estava mais do que
um caos. Confiou-lhe o legado em continuar o trato com Sopro, mas de uma forma
diferente.
Documentado e autenticado pelos Anjos, a segunda
parte do Homem, ou seja, o corpo mortal, também seria de responsabilidade das
Trevas, a depender, é claro, dos atos do Homem ainda em existência e do
desempenho do Tempo, seu irmão mais velho que diferente de Trevas, era comprometido
e dedicado com as coisas da Criação. Caso não fosse de merecimento do Homem, Trevas
e Sopro de nada poderiam fazer. Ficaria feliz se soubesse como é, tanto com a
nova função, quanto com o nome que ganhou. A partir daquele momento, Trevas se
chamaria Morte.
Sacramentado perante Deus e os Anjos, os sócios
Sopro e Trevas registram o nome da nova sociedade: Sopro da Morte Sociedade
Anônima.
terça-feira, 26 de junho de 2012
A palhaça
A Palhaça: a arte é uma releitura de uma das obras da inglesa Liz Kay.
Por Tamires Santana
Eu me sinto o Bozo
Só que com menos fama e dinheiro no bolso.
Por me sentir assim,
Ligo do meu jeito O alto falante,
Extravazando toda essa tristeza coagulante.
O mitológico Quimera só vai embora
Quando pros meus braços você retorNa.
E a anGústia?
Passou, a paz de espírito voltou.
Não há nada mais bonito do que viver um Amor.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Frida está pronta
Por Tamires Santana
Apoiada na janela, olhando
para os poucos morros verdes que resistem ao lado de casas improvisadas, Frida não
é Frida. Calada, apenas me escuta. Na ocasião, pipas se entrelaçavam no ar umas
com as outras, gritos de crianças não tiravam a tranquilidade dos pássaros repousados
nos fios de eletricidade e as poucas nuvens acinzentadas que se destacava no céu
azul claro, quando menos se esperava, escondia o sol ardente.
Frida, submersa no que
ouvia, começou a chorar.
Ao observá-la, é fácil
identificar o seu espírito jovem, como é destemida, autêntica dos pés a cabeça
e fora poupada pela vulgaridade dos dias de hoje. Confunde-se com uma sábia ao analisar
e conhecer o estranho como nem ele mesmo, porém esqueceu-se de se conhecer.
Transparente, nem todos a aceitam, contudo, ninguém é capaz de ofuscar o seu
brilho. Apenas ela.
E assim o fez. Cegou a sua
sorte, se entregou ao medo e ao novo quando consumida pela expectativa e planos
que dependiam de sentimentos e mais de uma pessoa.
Neste mundo é muito fácil
se perder, basta embalar-se com a vida, confundir um pouco as emoções e eis que
se encontrará rapidamente confuso, envolto num desespero aparentemente eterno e
emaranhado num forte desejo de desaparecer.
Mas ninguém neste mundo
fica desamparado, absolutamente nada nem ninguém. Muitas vezes é preciso se
perder em atalhos para encontrar o que no caminho traçado não se descobriria. O
que acontece é que Frida pegou o atalho antes mesmo de saber qual deveria ser o
destino final.
Como se começa a caminhar
sem antes saber pra onde se deve ir? Pelo o que vejo, repetidamente este erro acontece
no mundo de Frida.
Frida teve que voltar,
pois o que apenas se sabia era sobre o início. E foi ao voltar descobriu sobre
o seu destino. Nunca é tarde, todo processo é necessário.
Neste momento, lágrimas
desabam.
Não há nada mais lindo
quando um ser depara-se com sua condição elevada, se liberta, perdoa a si e a todos
que guarda mágoas e abre-se para as possibilidades, seguindo adiante.
Fico feliz, muitos não distinguem
a chance para o crescimento. A partir de agora ela está pronta.
Frida, ame.
domingo, 20 de maio de 2012
Perspectiva de vida: retratos da involução
Por Tamires Santana
É
preciso ter coragem, o mínimo de amadurecimento e disposição para mudar. E
mesmo assim não é fácil. Para estimular o crescimento e alcançar a paz de
espírito, é preciso examinar o que existe dentro de você. Ao se deparar com o
que há, desencadeia-se um processo e tudo o que vem pra avacalhar a convivência
pacifica entre o próprio e, são afastados e preenchidos por pensamentos e
sentimentos melhores.
O
crescimento em si exige uma série de fatores e por mais que tentamos sermos
inteligentes o suficiente pra não aprender com a dor, em certas situações, sua
presença é inevitável. A partir do momento que algo vai contra aquilo que tenho
como valor, é o suficiente para que o conflito interno se faça presente. Partindo
deste princípio, temos algumas opções, uma delas é “borá pra frente” ou abre o
portal das lamentações. Infelizmente, grande parte das pessoas prefere a segunda
opção.
“Quem
tem ouvidos, que ouça”, já disse Jesus Cristo.
Quem
não é capaz de mudar? Quem não é capaz de lidar com o novo e deixar para trás o
passado? Todos são capazes, basta querer.
Compartilho
uma série de frases sobre como a sociedade se porta diante de certas situações,
incentivo emocional, choradeiras, parâmetros de valores, reflexões e críticas
de todo o tipo. Tanto pra mim, quanto para uma infinidade de pessoas,
interligados em uma rede, há uma identificação e concordância com muito do que se
é publicado por aí. No entanto, do que adianta tanta “curtição”,
compartilhamentos e comentários se diante do primeiro ato de delinquência de um
irmão, não tenho a capacidade de praticar o que reafirmo ser o ideal?!
Bem vindo à autocrítica, local
de fácil acesso às incertezas, inseguranças, medos e propenso ao
individualismo.
É
muito fácil apontar o dedo para aquilo que se acredita não estar dentro do
conceito de vida. Difícil é trazer soluções para o problema e agir de forma apropriada.
A arrogância às vezes toma frente, abrindo espaço para a superioridade e a
babaquice.
Jesus
insistia que o conhecimento por si só não basta, a boa convivência entre os
irmãos é trilhar o caminho do Pai. E venhamos e convenhamos, é um sacrilégio
não mandar um serzinho tomar no meio daquele lugar quando ultrapassa a fronteira
entre a calma e a peste do desequilíbrio emocional.
Fato:
o sofrimento é necessário para o crescimento. Mas dói, dói e dói. Parece que
vai morrer. Mas não morre. Pergunto-me sempre que detestavelmente necessário:
por que é tão difícil me calar diante um insulto, impedir lágrimas e perdoar?
Se
respirar fundo é tentativa pra se acalmar, comigo não funciona? Quantas ocasiões
meu coração irá chocar-se contra o peito por não saber o que é aceitação?
Quando será o momento que começaremos a curar feridas profundas causadas por
outros, mas mantidos por nós mesmos?
Tantos
questionamentos.
Peguei
o livro Jesus, o maior psicólogo que já existiu, de Mark W. Baker. Há tempos se
encontrava na estante da minha casa e mesmo o título ter me chamado atenção, só
o li mesmo depois que meu pai recomendou a sua leitura. Li, anotei, refleti e
esta curta e objetiva frase foi uma das que mais me marcou: “A sabedoria é
demonstrada pelas ações.”
domingo, 8 de abril de 2012
Maria e Madalena
Eu sou Maria e ela Madalena
Eu sou a mulher e ela a amanteSou a fiel e ela a traidora
Eu o amo e ela é a amada.
Sou eu quem constrói e ela quem usufrui
Sou quem anima e ela quem o destrói
Sou a oficial, mas é ela quem sempre esta com ele
Sou a família, mas é Madalena quem aparece nos porta-retratos.
Estou sempre limpando e ela defecando
Tenho as mais sinceras intenções e ela a credibilidade
Eu estou fazendo do jeito errado e ela há muito já o fez
Ela tem o que eu quero e eu o que ela não tem
Eu sou o jogo e ela é a jogada
Eu tenho que me acostumar e ela continua sendo a amada
Eu sou a ciumenta e ela a sensata
Eu já perdi a paciência e ela a decência
Eu sou vítima da tolice e ela de longe já se deu bem]
Eu sofro e ela não larga o osso
Enquanto eu amanheço ela anoitece
Eu tenho a fórmula, mas ela a poção.
Madalena enterra quem merece e de quem eu abro mão.
domingo, 25 de março de 2012
A única certeza é: vomitar sempre gera uma sensação horrorosa
Por Tamires Santana
Se você, caro leitor, é o tipo de pessoa que sente nojinho fácil, não leia este texto. Ele não é nada sutil, nada educado, não segue os padrões europeu e muito menos se preocupa com o que você ou qualquer outro leitor irá sentir. É a Literatura Mal criada e de poucos modos. Palavras e descrições que só se preocupam com as regras gramaticais.
Era apenas um copo de cappuccino, produzido por uma destas máquinas de café fixadas nos andares de empresas multinacionais. O cheiro não é autêntico, contudo, até então, nada de mal: saboroso e artificial como a indústria instantânea determina.
A necessidade de ficar muito bem acordado durante toda a madrugada, e ainda por cima produzir lucros, fez com que apelasse para a máquina. E não foi uma boa ideia. Na verdade, foi uma péssima ideia. Após o apito acusando a liberação do produto, o cappuccino quente percorre o desfiladeiro, aquecendo todo o corpo. A partir do momento que golpeou o estômago os problemas começaram e como uma pichação feita no seu muro recém-pintado: incomodou.
A madrugada se arrasta em meio a um silêncio fúnebre. Os pensamentos acirram a batalha a favor dos últimos acontecimentos. O coração, que tem tudo para apenas bater, insiste em apertar o peito de mágoas e preenchê-lo de falsas esperanças. Já a mente tenta enganar todo o restante da matéria com seus argumentos, mas a verdade é que nem ela mesma consegue convencer.
Não tem jeito, o melhor a se fazer é ir a um local apropriado para possíveis penúrias. Diante o espelho o desânimo encarnado. Pouca intensidade tomou conta de uma pele corada, existindo e resistindo junto a olheiras e manchas. Sinais de que as coisas não andam nada bem. Em muitas ocasiões, para se livrar de um mal e para que o bem possa prevalecer, é preciso recorrer à força. Não tanto a brutalidade ou a covardia e sim a relances de deméritos. Episódios que não devem ser divulgados ou ações que não se podem fazer publicamente. Quantos segredos se valem por tal necessidade.
Agora não é apenas a pele que tem um aspecto amarelado. Lá se foi a cor morena da bebida. O ar se reduz mediante tamanha pressão, a cabeça pesa como um crime na consciência de um incorruptível, os olhos se rendem a estética do Curupira, o estômago recorda tamanha preocupação dos antigos em não virar o bucho de uma criança, sábio antigos. Que anseio em tirar ao menos a queimação.
Vontade de gritar sem ter forças, de correr sem poder sair do lugar. O que será o causador de tanto desconforto? A mistura química da bebida artificial, a falta de dormir durante a semana, ansiedade, quem sabe muitas preocupações. Não descarto a possibilidade de uma virose, baixa resistência imunológica, cansaço físico ou quem sabe um neném crescendo na barriga. Não sei!
A única certeza é: vomitar sempre gera uma sensação horrorosa.
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