segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fogos de artifício


Por Tamires Santana

A água é indispensável,
E é constantemente ferida pelas criaturas
O ar é influenciado
Seja desde um peido a incansável lareira
A terra é firme
Só que muito sensível às construções
Já o fogo
É simplesmente implacável.

Uns tais de Fogos de Artifício da China chegaram
Em uma data comemorativa se apresentaram.
Saiu de uma cavidade pequena,
Enfrentaram a gravidade,
Estouraram fazendo estardalhaço
E do alto, luzes brilhantes soltaram.

Esses asiáticos...
O fogo lá de baixo só olhou
Até concordou que, se em conjunto, os tais dos fogos de artifício ficam mais encantadores
Mas não ao ponto de o compará-lo.

Passou em alguns lugares,
Consumiu tudo por onde o vento o soprou
E, com isto, seu domínio mostrou.

Apesar dos fogos de artifício queimarem
Servem apenas para comemorar
Enquanto o fogo
Fulminante
Determinado
Voraz
Quarto elemento básico da existência
Não permite se igualar.

Quatro crianças e cinco olhares


Por Tamires Santana


Eram quatro crianças pobres
Três meninos e uma menina
O mais velho assumia o papel de pai e mãe
Pegando na mão
Dando carinho
Prestando atenção.

Um homem entra
Escolhe um assento
Tenta fechar o guarda-chuva
Seguido por cinco olhares curiosos
Não se constrange, é indiferente.
Consegue o feito
Duas estações adiante e desembarca.

Eram oito Havaianas sujas de barro
Pelo menos dois furos em cada roupa de cores desbotada
Peles da noite
Olhares desconfiados
Observadores dos mínimos detalhes
Num rosto sério de quem quer impor respeito.
O acalanto do trem nina os menores
Balança tanto que derruba um par de chinelos.

Criança pobre tem dignidade
Tem inteligência
Capacidade
Integridade
Merece mais consideração
A começar da própria sociedade.

domingo, 30 de dezembro de 2012

A negrinha do sapato vermelho




Por Tamires Santana

Existia no Império de Xingu, na Dinastia de Yapoke (1120 a.c – 1000 a.c) uma mulher fanática por sapatos vermelhos. Tinha muitos, de todas as tonalidades existentes no extenso Império, sem contar tantos outros trazidos por nômades vindos de lugares longínquos. Ficou conhecida como a Negrinha do Sapato Vermelho.

Certa vez, se apaixonou por um homem belo e generoso, dono de muitos livros e de família honrada. Mas o amor, como se deve esperar, não é tão simples de explicar e vivenciar. Este homem era mais velho, o que, para a época, não era favorável para o laço matrimonial.

Acreditava-se que um homem e uma mulher, ao unir-se, por amor ou arranjo da família, deveriam ter no máximo quatro luas de diferença um do outro e, prioritariamente, o homem deve ser o mais velho para acompanhar a mente avançada da mulher. A tradição também dizia que o casal deve envelhecer junto.

O homem era bom, talentoso e dono de uma habilidosa oratória, fator reconhecido pela cultura do Império naquela época, porém, tinha uma marca triste em sua vida: uma desilusão amorosa. Há dois anos o homem havia entregue seu coração a uma forasteira vinda de Palpam. Os dois planejaram o casamento, até que certo dia a mulher fugiu com o Príncipe Temor, não sendo encontrada. O homem, desde então, nunca mais foi o mesmo.

Negrinha do Sapato Vermelho, mesmo tendo conhecimento desta triste história, não desistiu e prosseguiu na tentativa em conquistar o amor de sua vida. Costumava ir, todos os dias, pedir orientação a deusa Afrodite, debaixo de uma Reza Missa, ao por do sol. Numa dessas ocasiões, se deparou com um sábio. Resolveu pedir conselhos ao velho desejando orientação em como conquistar o amor do homem.

Calmamente, o griot, após tomar conhecimento do caso, conclui: não deve-se jogar pérolas aos porcos. Desapontada com a recomendação, Negrinha do Sapato Vermelho fixou a ideia de que poderia mudar o destino, mesmo após a vidência de um sábio.

Desejou do fundo do seu coração o amor daquele homem enquanto calçava um par de sapato vermelho cor de sangue. Atingido pela cor o homem ao vê-la lembrou-se de sangue, sangue lembrou de coração, de coração lembrou de amor e olhou nos olhos da jovem. Percebeu que anos havia se passado e ele vivia amargurado. E assim, apaixonou-se apenas pela metade da Negrinha do Sapato Vermelho. 

Convicta de que havia conquistado o amor quem mais desejava, Negrinha do Sapato Vermelho parou de comprar sapatos vermelhos. Sua vida voltava-se totalmente para quem tanto amava e com  tamanha ocupação palavras, pensamentos e ações eram apenas sobre e para ele. Deixou até de comprar sapatos vermelhos e com isto, ia deixando de ser ela mesma.

Ano se passaram, o homem envelhecia mais e mais. E a paixão por ele não cessava. Até que, a mulher do passado aparece no presente. Tudo se abala e fica inseguro. A forasteira exige o coração do homem de volta e agora pede pra que ele vá com ela. Eis que o homem se decide e vai viver o seu grande amor, deixando Negrinha dos Sapatos Vermelhos. O conselho do sábio finalmente se concretiza. A Negrinha do Sapato Vermelho não tem mais vida. De vermelho passou a viver o resto dos seus dias cinza.

Altar e perdição


Por Tamires Santana

O olhar imóvel de um rosto angelical, copiado fielmente de uma meretriz da Era dos Grandes Pintores, hoje é confiada ser uma verdadeira santa; o acabamento é revestido por madeira e qualquer coisa dourada; pinturas antigas forram o teto. Tudo muito bonito de se ver, parte do cenário do qual o padre, pecador, prega a palavra de Deus diante de seu rebanho. São ovelhas da Era Funk que dissimulam rezar e cantar os cânticos com sentimento, mas não veem a hora de sair para almoçar.

Parece que a palavra não surte mais efeito como antigamente. Não se fazem mais religiosos como antes. O que será que aconteceu? Fazê-los acreditar nas escrituras de um livro organizado sob os interesses do Vaticano é o desafio de qualquer escolhido pelo Senhor. O reino dos céus será dos alucinados.

Está tudo perdido, me parece. O terço de madeira desejava vir ao mundo como enfeite de estante. Sofre cada vez que a mãe o aperta firmemente ao se desesperar pelo filho que se perdeu nas ofertas fáceis dos tempos modernos. Não adianta mais sentar no próprio rabo e olhar apenas para o nariz, se uma mãe chora, todos sentem a dor.


Os traços lembram uma santa, os braços abertos sugerem acolhimento, aos pés do vestido longo e azul, conchas do mar e areia; a base é de madeira revestida pela pele de algum animal; velas, flores, ervas, pembas, espadas e pedras. Tudo muito estranho de se ver, parte do cenário do qual o pai de santo, pecador, incorpora e repassa a palavra de uma entidade diante de um irmão. São pessoas da Era Crise que lamentam não sabem lidar com seus problemas pessoais, esperam um descarrego e não veem a hora de sair para jantar.

Parece que ir uma vez por semana tomar passe não resolve mais como nos tempos antigos. O branco não é mais a cor da moda? Fazê-los acreditar nas palavras de um morto que afirma que se deve aprender a lidar com os próprios sentimentos e parar de culpar o outro é a provação para qualquer sacerdote. O reino dos céus será dos loucos.

Está tudo perdido, me parece. A roupa branca desejava ter sido confeccionada de outra cor. Não aguenta mais ser absurdamente clara apenas uma vez por semana e ser usada como mero adorno. Do que adianta vestir o externo enquanto o interno não muda nunca? A hipocrisia é um mal da modernidade.


O altar é de madeira maciça; os instrumentos da melhor banda de todos os tempos; o piso recém- reformado; as cadeiras novas. Tudo muito bonito de se ver, parte do cenário do qual o pastor, pecador, prega a palavra do senhor diante dos irmãos. São ovelhas da Era Lucro que camuflam nos hinos os olhares atentos e não veem a hora de sair para comentar alguma coisa sobre o outro.

Parece que vestir a roupa nova e justa e estar presente no culto dominical não apresenta resultado algum. Não era para oferecer o melhor pra Deus?  Fazê-los acreditar que a transformação está dentro de cada um e não depende do pastor nem sempre é o que o bispo da TV ambiciona sintonizar em massa. O reino dos céus será dos questionadores.

Está tudo perdido, me parece. Pregar a palavra não basta, tem que ficar gritando, bitolando e domesticando as ovelhas.  Ainda assim, o Senhor, tanto evocado nestas ocasiões, não vê a hora desse povo todo começar a entender o verdadeiro sentido de suas palavras e parar de fantasiar sobre a sua volta. Do que adianta voltar se o que já foi transmitido ainda não é compreendido?

A ignorância e a ganância parece que grudaram nos corações e mentes dos homens. Está mais fácil tirar goma de mascar do cabelo.

Eduardo, o chato




Por Tamires Santana

Eduardo até me pareceu um cara valente, morador do senso comum e pregador de ideologias básicas. 

Me enganei!

Eduardo é um chato e isto é quase tudo. Nas infinitas e excessivas discussões sobre a situação do brasileiro, a tragédia futebolística, o índice de violência e a dança da prostituição com garotas de menores e estrangeiros tarados, ele diz a verdade. O problema é que acentua tanto a temática que acaba rondando sobre os mesmos argumentos.

Eu já entendi sobre o drama, as lágrimas derramadas ao som do calibre n° X, as gerações que se perderam influenciadas sob a ótica de mensagens ilusórias do canal Y. Eu só não entendi quando o Eduardo vai parar de falar.

Talvez a culpa seja minha, sabe?! Tenho a mania de querer entender os problemas e a partir deles tentar resolvê-los, todos, se possível. Enchessão de saco deve ser o mais breve possível. Não admito lamentações, choramingo e lamúrias; sou implacável quanto ao posicionamento de “nós somos pobres coitados, manipuláveis” e extremamente rebelde quando diante da prolixidade.

Só falta o Eduardo fazer um convênio do PAF* e aguardar a morte, tamanho o pessimismo que o ronda. Mas antes de morrer, é claro, ele precisa de três coisas: fazer um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Pelo título do livro Eduardo: a guerra não declarada na visão de um favelado e posteriormente pelas informações que se encontram no prólogo, talvez ainda falte plantar uma árvore.


*Nada contra os segurados do plano. Até acho uma boa pensar nos trâmites do enterro e poupar quem fica de todo o desgaste. Apenas usei do argumento para ilustrar o conceito.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Poder místico do pensamento



Força magística do poder ígneo, portal interminável sob a existência.
A pemba que risca a mandala, não é o bastante.
A chama é potência cabal.
Nada de impulsos, ódio ou má intenção
A nada escapa a lei da Ação e Reação.

Evocam-se deuses e divindades em vão.
Mundo apocalíptico, desconheço.
Compreendo que é tempo de transformação.

O fim se funde ao princípio
Ao se perceber que muito do que se fez foi inútil.
Milhões de sacrifícios.
O obscuro faz parte do infinito,
Do mesmo modo que do necessário.

Morrer e acabar, fácil acreditar.
O Que nada impede a eternidade de vigorar.
Ciclos consolidados e o sólido sendo evaporado.
Penetrando-se nos pontos invisíveis que o físico jamais enxergará.

Enquanto o pensamento involuntário permanecer,
Para a essência jamais vai despertar.

domingo, 14 de outubro de 2012

Ingratidão: a afirmação do falso samaritano







Uma das maiores perversidades que assolam a sociedade se chama ingratidão. É imperdoável, vergonhosa, dolorosa e tão próxima a tudo e a todos que é impossível se ver ileso a seus efeitos. O filósofo chinês Confúcio dizia: “A maior ofensa que podemos fazer a um amigo é prestar-lhe um favor e o maior dos revides é a ingratidão”.  É algo que só entende-se a profundidade quando se depara com tal circunstância.
Não reconhecer os benefícios recebidos. Talvez cada um seja parcialmente ou totalmente ingrato a todo o momento. Não necessariamente com um amigo que lhe estendeu a mão. Há aquele que após a vitória, atribui a si mesmo todo o mérito, esquecendo que pessoas ao seu redor o ajudaram de diferentes maneiras. Vez ou outra, se pede ajuda, bebe-se da fonte e quando já fortalecido, segue-se adiante, sem ao menos olhar para trás e dizer “muito obrigado”.
Quando digo que somos ingratos a todo o momento, basta respirar para que tal pensamento se confirme. A cada centímetro colonizado é uma agressão diferente. Desrespeitamos as regras da existência ao eleger o conforto do ser humano como prioridade, vindo a poluir a água, o ar e o solo. Recebemos o suficiente para vivermos bem e na ganância e insaciável vontade de ter mais, somos ingratos com o meio ambiente e a Natureza.
E não fica só por aí, a ingratidão se manifesta de várias formas, em todas as fases que o homem passou na História da humanidade. Ajudo quando me é solicitado ou não, doo meu tempo, emprego expectativas, invisto, ensino o que sei de melhor; Desgasto-me até que a pessoa entenda; Depois, quando esperava que o mesmo fosse feito por mim, o que fica é vento e uma dor no peito.
É nestes momentos que me questiono: ajudei por amor ou esperava algo em troca? Responder que foi por amor não faz muito sentido, pois, como explicar a mágoa, a revolta e a decepção?
Quem sabe não se trata de outra coisa: sentir-se superior em resolver os problemas dos outros?! Coloca-se a máscara da compaixão ou pena e encena-se uma bondade que na verdade serve de pano de fundo para comprar o amor dos outros.
Quando um “ingrato” entra em ação, tudo se torna cinza. Tudo é digno de lamentação. Somos os injustiçados, os coitados, os ofendidos, a parcela da sociedade que nasceu para sofrer.
Não que tenhamos que ser indiferentes uns aos outros, contudo, é preciso estimular a franqueza, parar de se enganar. Lindo receber um muito obrigado, mas mais bonito será deixarmos o fingimento de lado e começarmos a agir sem amarras da falsidade, do medo da rejeição, pessoa de valores sem segundas intenções.
Não seja um falso samaritano.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Estatísticas do amor





Eram sete horas da manhã quando fui acordada aos beijos. Um pouco contrariada por ter o sono interrompido, mexi o corpo em sinal de que estava gostoso, mas não era o momento apropriado. Ele não parava de me acariciar e era sinal de que eu realmente tinha que acordar. Por um momento o pessimismo tomou conta: difícil dormir a noite e quando tenho a oportunidade, sou obrigada a acordar cedo demais.
As estatísticas são claras, as mulheres ainda se emprenham na busca pelo homem perfeito. Um dos pontos que elas ambicionam é encontrar um ser carinhoso, atencioso e gentil. Faço parte das estatísticas, mas não quando com sono. Na pior das hipóteses, o melhor é manter o pensamento positivo, portanto, me deixo levar pela conversa. Elogios, agrados, mimos. Com tanto romantismo não dava mais pra fingir que estava despertada. A cena ocorre sobre uma cama e mesmo que a circunstância tenha tendenciado, por diversas vezes, a prática do prazer, nada ocorreu.
Sem recordar como dormi, só lembro que era acordada novamente, mas desta vez, diante de um reforçado café da manhã, acompanhado de mais elogios e galanteios. Estava eu sonhando? Sempre imaginei cenas como estas e seria mais um dos meus delírios? Não, era real.
Eu me rendo e aceito ser envolvida pelo ritmo do amor. Sinto-me a mulher mais feliz e privilegiada do mundo. Pra mim, quando tudo já estava perfeito, sem rodeios, a pergunta é feita: casa comigo? E, sem desperdiçar a oportunidade, até mesmo pra honrar as estatísticas: sim, claro que sim.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mariposas Marcianas




Mariposas moveram-se à Marte,
Quando Marte migrou para Miséria,
Logo após Miséria mudar-se do Mundo,
Porque o Mundo morreu de medo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Salve a “hipocracia” brasileira!





Estranho observar debates que falam de justiça! Da reforma judiciária, aborto, pena de morte, redução da maioridade penal e etc.

O mais estranho é ver que a polêmica se reduz na preocupação como o judiciário falha com os processos que desestabilizam um mega empresário ou uma falsa e ilegal a acusação ao um parlamentar.

Enfim, questões polêmicas sobram e é a periferia quem morre. Quem é julgado nas madrugadas pela lei, quem faz de forma ilegal, de forma crescente os abortos com casos de infecções e mortes entre jovens mulheres. Qual a grande massa que está perdendo a juventude e sendo encarcerados na fundação Casa?

Se com toda a reforma judiciária é importante para atualizar o código penal brasileiro, ótimo, mas que seja igual para todos.

Nada e nem ninguém discute a questão da pena de morte para casos de corrupção, para mau uso do poder público ou dos poderes do legislativo ou jurídico.

O mais estranho é que nunca vou ouvir falar de grandes condenações ou penas para um mau juiz, político safado ou um bandido de farda.
Salve a democracia brasileira!

Já dizia o THAIDE e DJ HUM: “Os homens da lei são todos porcos... todos porcos”.
Bonga Mac

Estranho mesmo é observar argumentos que se pautam na ponta do iceberg, não se preocupando e não chamando a atenção para quem são os únicos e principais responsáveis por esta baderna toda: vós que vos fala, tu que lês e nós que existimos.

A marginalização faz parte da história da periferia desde a sua origem, com a especulação imobiliária, programas de higienização, êxodo rural, etc. Estranho é como tal fato se repete e como a situação se torna cada vez mais deteriorante, sendo que, aparentemente, quem mora nas favelas não tem poder político para palpitar nada e nem mudar a sua condição.
Não devemos ser taxativos, mas antes de nos voltarmos aos poderosos, cuja grande maioria são (consecutivamente) votados e erguidos por nós mesmos, precisamos avaliar que posição estamos tendo diante destes fatos históricos que só vem a oprimir a nós mesmos.

A corrupção e o mau caráter, antes mesmo de penetrar no poder público, são exalados pela sociedade civil. Sim, muitos de nós, pra não dizer a maioria, somos corruptos, porcos e sujos. Não precisa estar sujo de lama. A forma mesquinha de pensar apenas em si, de não acreditar ou se empenhar em ações coletivas sem tirar proveito da situação, seja se promovendo ou adquirindo bens, de apoiar e votar (como só a democracia brasileira consegue proporcionar), sem ter uma cesta alimentícia ou algum ganho em troca. Tal ato seria mesmo justificado pela necessidade ou pela ausência de valores?
Não se pode deixar passar despercebido também os contemplados pelo bolsa família ou outro tipo de assistencialismo que o governo fornece e que (não que seja contra o benefício) são usados para manterem vícios.

Há de se enfatizar como não se discutem sobre a popularização de “como é bom ser vida loka”, como a “mulherada desce e senta quando toca o tamborzão” e de como “a Soda está liberada”, inclusive, a “Soda” está sendo consumida por crianças que ingerem muitas informações que lhe são proporcionadas no decorrer do seu desenvolvimento e formação de...caráter.

Somos instruídos a acreditar que se assim é, assim será, não lutamos e nos contentamos com o pouco de nada. E como o nada há de haver pouco? Com a força das nossas ilusões. Pensamos que temos, que somos, mas tudo não passa de ilusão. Culpamos o outro quando na verdade a culpa e a iniciativa partem de nós mesmos. A mudança não vem de fora pra dentro, muito menos de cima pra baixo. Porcos somos nós que votamos mal, lemos mal, nos contentamos restos, que batemos palmas pra loucos e deterioramos os princípios familiares, a moral, a ética...

Os homens das leis, reflexo da sociedade, ponta do iceberg, são todos porcos?

Salve a democracia brasileira!

“ Pegue duas medidas de estupidez
Junte trinta e quatro partes de mentira
Coloque tudo numa forma
Untada previamente
Com promessas não cumpridas
Adicione a seguir o ódio e a inveja
Dez colheres cheias de burrice
Mexa tudo e misture bem
E não se esqueça antes de levar ao forno temperar
Com essência de espirito de porco
Duas xícaras de indiferença e um tablete e meio de preguiça” (Os Anjos de Legião Urbana).

domingo, 5 de agosto de 2012

Meia Noite e Trinta e Cinco



Por Tamires Santana


De olhos fechados não me vejo
De boca fechada não sou eu
Com pecado e perdão
Com rebeldia e missão
Não me curvo a inércia
Muito menos a traição.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O sono e a morte andam juntos



Por Tamires Santana

Certa vez, a Luz, a mais irradiante de todas da criação divina, resolve presentear o Homem, ser recém-criado por Deus, curioso e que ainda descobria o mundo. Luz gostava do jeito ainda ingênuo do Homem e de como era atencioso com a Natureza; Decide então, demonstrar o seu pequeno carinho e, em uma leve caixinha, embrulhada com penas de pavão e amarrada com cipó de ouro, havia dentro o prazer mais puro que já existiu até então: o ato de dormir.
Deus, vendo todo o carinho que Luz sentia, se comove e, sabiamente, sem que o presenteador e o presenteado soubessem, coloca dentro da caixinha um pequeníssimo embrulho, enrolado com mistério e que abrigava o despertar. Ao ser presenteado, o Homem irradia felicidade por todos os lados, pois está maravilhado e muito agradecido.
As Trevas, imersa na escuridão, atingida pela irradiação da felicidade do Homem e ínvida que só, não gosta nem um pouco de ser incomodada, ainda mais por quem ainda nem ao menos sabia direito pra que veio ao mundo. Ao tomar ciência do sucedido, fica arretado e arruma argumentos o suficiente que inspiram uma tal de vingança, sabe lá do quê e porque.
Como não podia expor toda maldade que o acompanha, precisava ser sutil para não chamar a atenção. Sendo assim, sentou-se embaixo de uma figueira e, após séculos arquitetando, risca com um graveto todo o plano maquiavélico na terra e percebe que precisaria de ajuda.
Caminha sete anos pelos desertos até encontrar Sopro, irmão mais novo de Brisa, filho da Vida e que há tempos reclamava a muitos daquelas áreas secas que desejava melhorar de função. Sopro era ajudante geral da Natureza e sua função era movimentar, balançar e agitar coisa ou outra esteja presente no fogo, na terra, na água ou no ar.  Malandramente, Trevas fala tudo o que Sopro desejava ouvir e, como a nova função de nada atrapalharia seus serviços atuais, tratou logo de travar acordo com Trevas.
Um dia, enquanto Homem se deleitava com o presente dado por Luz e Deus, Trevas aparece em um sonho, vestido de reflexo, envolvendo o Homem com a sua própria imagem. Foi quando lhe confiou à palavra contando que receberia um segundo presente, desta vez, bem mais interessante e escolhido direto por Deus, único e poderoso que só Ele. O homem, curioso como sempre, pergunta onde e quando se depararia com tamanha divindade. Trevas responde que tudo virá como um sopro, manso e fresco.
Acordado e maravilhado, o Homem anseia tal momento. O tempo passa e quando menos espera, um lindo embrulho aparece. O Homem se apressa ao abri-lo e ao tentar levanta-lo, sente-o extremamente pesado e gélido. Intrigado, se pergunta o porquê de tamanho peso num pacote tão pequeno. Coisas de Deus, pensou ele. Delicadamente começa a desenrolar até que antes de desatar o último laço, se depara com uma sensação de medo. Sopro, que a essas alturas tudo observava e estava escondido, o atinge com um bocado de coragem, fazendo o Homem seguir adiante.
Ao abrir, vê algo extremamente negro e nunca visto antes, nem mesmo parecido. Por mais que tentasse tirar, não conseguia. Foi quando Sopro se apresenta e pergunta se deseja sua ajuda. Lembrando-se do sonho que tivera certa vez, aceita. Sopro assopra o negro funesto no Homem, o que o mata instantaneamente. O plano com perfeição foi efetuado. Homem morreu antes da chegada do Tempo, satisfazendo os caprichos de Trevas.
Deus, chegando de mais um dia de criação, descobre a façanha de Trevas e Sopro e, antes mesmo de pensar em puni-los por tamanha inconsequência, convoca a presença imediata de Vida e seu filho Sopro, este ciente de seus atos, fica apreensivo com o que poderia vir acontecer. Após ouvir calmamente as queixas de Sopro sobre suas funções e sob o argumento de que o sono e a morte andam junto, Deus o perdoa.
Deus leva o Homem para o alto da montanha mais alta e o divide em duas partes. Com a ajuda de Luz, cria o espírito e o guarda na primeira parte do Homem. Designa à Vida a responsabilidade em guiar o espírito do Homem para a Eternidade. Já a segunda, recria o corpo mortal, agora um pouco mais forte e com alguns defeitos, pois só assim poderá fortalecer-se ao buscar a Perfeição. Deixa a cargo de Sopro direcionar o corpo mortal para as boas ações, sob a condição de que não poderia interferir nas escolhas do Homem, nem contar sobre o futuro, apenas adverti-lo sobre uma coisa ou outra. Em caso de dúvidas, tanto Vida quanto Sopro poderia procurar os Anjos, pois estes respondem por Deus nos dias que estiver fora para assuntos emergenciais.
Com Trevas, Deus teve uma séria conversa entre pai e filho e clamou para que ele nunca mais fizesse o que fez. Mandou-o de volta para a escuridão, que a essa altura, sem comando algum, já estava mais do que um caos. Confiou-lhe o legado em continuar o trato com Sopro, mas de uma forma diferente.
Documentado e autenticado pelos Anjos, a segunda parte do Homem, ou seja, o corpo mortal, também seria de responsabilidade das Trevas, a depender, é claro, dos atos do Homem ainda em existência e do desempenho do Tempo, seu irmão mais velho que diferente de Trevas, era comprometido e dedicado com as coisas da Criação. Caso não fosse de merecimento do Homem, Trevas e Sopro de nada poderiam fazer. Ficaria feliz se soubesse como é, tanto com a nova função, quanto com o nome que ganhou. A partir daquele momento, Trevas se chamaria Morte.
Sacramentado perante Deus e os Anjos, os sócios Sopro e Trevas registram o nome da nova sociedade: Sopro da Morte Sociedade Anônima.

terça-feira, 26 de junho de 2012

A palhaça

A Palhaça: a arte é uma releitura de uma das obras da inglesa Liz Kay.




Por Tamires Santana

Eu me sinto o Bozo
Só que com menos fama e dinheiro no bolso.

Por me sentir assim, 

Ligo do meu jeito O alto falante,
Extravazando toda essa tristeza coagulante.

O mitológico Quimera só vai embora

Quando pros meus braços você retorNa.

E a anGústia?

Passou, a paz de espírito voltou.
Não há nada mais bonito do que viver um Amor.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Frida está pronta



Por Tamires Santana

Apoiada na janela, olhando para os poucos morros verdes que resistem ao lado de casas improvisadas, Frida não é Frida. Calada, apenas me escuta. Na ocasião, pipas se entrelaçavam no ar umas com as outras, gritos de crianças não tiravam a tranquilidade dos pássaros repousados nos fios de eletricidade e as poucas nuvens acinzentadas que se destacava no céu azul claro, quando menos se esperava, escondia o sol ardente.
Frida, submersa no que ouvia, começou a chorar.
Ao observá-la, é fácil identificar o seu espírito jovem, como é destemida, autêntica dos pés a cabeça e fora poupada pela vulgaridade dos dias de hoje. Confunde-se com uma sábia ao analisar e conhecer o estranho como nem ele mesmo, porém esqueceu-se de se conhecer. Transparente, nem todos a aceitam, contudo, ninguém é capaz de ofuscar o seu brilho. Apenas ela.
E assim o fez. Cegou a sua sorte, se entregou ao medo e ao novo quando consumida pela expectativa e planos que dependiam de sentimentos e mais de uma pessoa.
Neste mundo é muito fácil se perder, basta embalar-se com a vida, confundir um pouco as emoções e eis que se encontrará rapidamente confuso, envolto num desespero aparentemente eterno e emaranhado num forte desejo de desaparecer.
Mas ninguém neste mundo fica desamparado, absolutamente nada nem ninguém. Muitas vezes é preciso se perder em atalhos para encontrar o que no caminho traçado não se descobriria. O que acontece é que Frida pegou o atalho antes mesmo de saber qual deveria ser o destino final.
Como se começa a caminhar sem antes saber pra onde se deve ir? Pelo o que vejo, repetidamente este erro acontece no mundo de Frida.
Frida teve que voltar, pois o que apenas se sabia era sobre o início. E foi ao voltar descobriu sobre o seu destino. Nunca é tarde, todo processo é necessário.
Neste momento, lágrimas desabam.
Não há nada mais lindo quando um ser depara-se com sua condição elevada, se liberta, perdoa a si e a todos que guarda mágoas e abre-se para as possibilidades, seguindo adiante.
Fico feliz, muitos não distinguem a chance para o crescimento. A partir de agora ela está pronta.
Frida, ame.

domingo, 20 de maio de 2012

Perspectiva de vida: retratos da involução


 
Por Tamires Santana

É preciso ter coragem, o mínimo de amadurecimento e disposição para mudar. E mesmo assim não é fácil. Para estimular o crescimento e alcançar a paz de espírito, é preciso examinar o que existe dentro de você. Ao se deparar com o que há, desencadeia-se um processo e tudo o que vem pra avacalhar a convivência pacifica entre o próprio e, são afastados e preenchidos por pensamentos e sentimentos melhores.
O crescimento em si exige uma série de fatores e por mais que tentamos sermos inteligentes o suficiente pra não aprender com a dor, em certas situações, sua presença é inevitável. A partir do momento que algo vai contra aquilo que tenho como valor, é o suficiente para que o conflito interno se faça presente. Partindo deste princípio, temos algumas opções, uma delas é “borá pra frente” ou abre o portal das lamentações. Infelizmente, grande parte das pessoas prefere a segunda opção.
“Quem tem ouvidos, que ouça”, já disse Jesus Cristo.
Quem não é capaz de mudar? Quem não é capaz de lidar com o novo e deixar para trás o passado? Todos são capazes, basta querer.
Compartilho uma série de frases sobre como a sociedade se porta diante de certas situações, incentivo emocional, choradeiras, parâmetros de valores, reflexões e críticas de todo o tipo. Tanto pra mim, quanto para uma infinidade de pessoas, interligados em uma rede, há uma identificação e concordância com muito do que se é publicado por aí. No entanto, do que adianta tanta “curtição”, compartilhamentos e comentários se diante do primeiro ato de delinquência de um irmão, não tenho a capacidade de praticar o que reafirmo ser o ideal?!
Bem vindo à autocrítica, local de fácil acesso às incertezas, inseguranças, medos e propenso ao individualismo.
É muito fácil apontar o dedo para aquilo que se acredita não estar dentro do conceito de vida. Difícil é trazer soluções para o problema e agir de forma apropriada. A arrogância às vezes toma frente, abrindo espaço para a superioridade e a babaquice.
Jesus insistia que o conhecimento por si só não basta, a boa convivência entre os irmãos é trilhar o caminho do Pai. E venhamos e convenhamos, é um sacrilégio não mandar um serzinho tomar no meio daquele lugar quando ultrapassa a fronteira entre a calma e a peste do desequilíbrio emocional.
Fato: o sofrimento é necessário para o crescimento. Mas dói, dói e dói. Parece que vai morrer. Mas não morre. Pergunto-me sempre que detestavelmente necessário: por que é tão difícil me calar diante um insulto, impedir lágrimas e perdoar?
Se respirar fundo é tentativa pra se acalmar, comigo não funciona? Quantas ocasiões meu coração irá chocar-se contra o peito por não saber o que é aceitação? Quando será o momento que começaremos a curar feridas profundas causadas por outros, mas mantidos por nós mesmos?
Tantos questionamentos.
Peguei o livro Jesus, o maior psicólogo que já existiu, de Mark W. Baker. Há tempos se encontrava na estante da minha casa e mesmo o título ter me chamado atenção, só o li mesmo depois que meu pai recomendou a sua leitura. Li, anotei, refleti e esta curta e objetiva frase foi uma das que mais me marcou: “A sabedoria é demonstrada pelas ações.”

domingo, 8 de abril de 2012

Maria e Madalena



Por Tamires Santana


Eu sou Maria e ela Madalena
Eu sou a mulher e ela a amanteSou a fiel e ela a traidora
Eu o amo e ela é a amada.


Sou eu quem constrói e ela quem usufrui
Sou quem anima e ela quem o destrói
Sou a oficial, mas é ela quem sempre esta com ele
Sou a família, mas é Madalena quem aparece nos porta-retratos.


Estou sempre limpando e ela defecando
Tenho as mais sinceras intenções e ela a credibilidade
Eu estou fazendo do jeito errado e ela há muito já o fez
Ela tem o que eu quero e eu o que ela não tem
Eu sou o jogo e ela é a jogada
Eu tenho que me acostumar e ela continua sendo a amada
Eu sou a ciumenta e ela a sensata
Eu já perdi a paciência e ela a decência
Eu sou vítima da tolice e ela de longe já se deu bem]
Eu sofro e ela não larga o osso
Enquanto eu amanheço ela anoitece
Eu tenho a fórmula, mas ela a poção.


Madalena enterra quem merece e de quem eu abro mão.

domingo, 25 de março de 2012

A única certeza é: vomitar sempre gera uma sensação horrorosa

Por Tamires Santana

Se você, caro leitor, é o tipo de pessoa que sente nojinho fácil, não leia este texto. Ele não é nada sutil, nada educado, não segue os padrões europeu e muito menos se preocupa com o que você ou qualquer outro leitor irá sentir. É a Literatura Mal criada e de poucos modos. Palavras e descrições que só se preocupam com as regras gramaticais.
Era apenas um copo de cappuccino, produzido por uma destas máquinas de café fixadas nos andares de empresas multinacionais. O cheiro não é autêntico, contudo, até então, nada de mal: saboroso e artificial como a indústria instantânea determina.
A necessidade de ficar muito bem acordado durante toda a madrugada, e ainda por cima produzir lucros, fez com que apelasse para a máquina. E não foi uma boa ideia. Na verdade, foi uma péssima ideia. Após o apito acusando a liberação do produto, o cappuccino quente percorre o desfiladeiro, aquecendo todo o corpo. A partir do momento que golpeou o estômago os problemas começaram e como uma pichação feita no seu muro recém-pintado: incomodou.
A madrugada se arrasta em meio a um silêncio fúnebre. Os pensamentos acirram a batalha a favor dos últimos acontecimentos. O coração, que tem tudo para apenas bater, insiste em apertar o peito de mágoas e preenchê-lo de falsas esperanças. Já a mente tenta enganar todo o restante da matéria com seus argumentos, mas a verdade é que nem ela mesma consegue convencer.
Não tem jeito, o melhor a se fazer é ir a um local apropriado para possíveis penúrias. Diante o espelho o desânimo encarnado. Pouca intensidade tomou conta de uma pele corada, existindo e resistindo junto a olheiras e manchas. Sinais de que as coisas não andam nada bem. Em muitas ocasiões, para se livrar de um mal e para que o bem possa prevalecer, é preciso recorrer à força. Não tanto a brutalidade ou a covardia e sim a relances de deméritos. Episódios que não devem ser divulgados ou ações que não se podem fazer publicamente. Quantos segredos se valem por tal necessidade.
Agora não é apenas a pele que tem um aspecto amarelado. Lá se foi a cor morena da bebida. O ar se reduz mediante tamanha pressão, a cabeça pesa como um crime na consciência de um incorruptível, os olhos se rendem a estética do Curupira, o estômago recorda tamanha preocupação dos antigos em não virar o bucho de uma criança, sábio antigos. Que anseio em tirar ao menos a queimação.
Vontade de gritar sem ter forças, de correr sem poder sair do lugar. O que será o causador de tanto desconforto? A mistura química da bebida artificial, a falta de dormir durante a semana, ansiedade, quem sabe muitas preocupações. Não descarto a possibilidade de uma virose, baixa resistência imunológica, cansaço físico ou quem sabe um neném crescendo na barriga. Não sei!

A única certeza é: vomitar sempre gera uma sensação horrorosa.

sábado, 17 de março de 2012

Despedida

Por Tamires Santana


Há algo de melancólico nas despedidas. Muito mais quando se guarda um amor. É como se arrancasse do peito algo, talvez a possibilidade de se deparar com o final feliz, se é que ele realmente existe. Existem despedidas e despedidas. Algumas planejadas, outras inesperadas, tantas desejadas e as muitas traumáticas. O fato é que, em sua maioria, difícil mesmo é sair ileso.
Aqui eu me despeço e vai compreender o porque. Antes, perdoe-me se há repetição de certas palavras, existem termos que de tão dóceis e claros, além de expressar o sentimento, são insubstituíveis.
Sabe quando muito se deseja encontrar um amor verdadeiro, fiel e pra vida inteira? É o que chamo de sonho tolo.
Antes da primeira conversa não havia nada mais do que uma indiferença, muito menos conhecimento de quem é ou foi. Após a sua investida mudaram-se as intenções, os olhares e as colocações verbais e escritas. Na essência, nenhuma certeza.
Começa-se o jogo. Surpresas para ambos. Pontos positivos conquistam, fatores negativos afastam. Insisti, investi e não me arrependi. Nunca fui tão bem tratada. Já amei mais intensamente, é verdade, só que, no entanto, nunca me dediquei tanto quanto me dediquei a você. Da mesma forma, jamais me senti tão insegura.
Não posso negar que ao seu lado me senti melhor; recebi tanto carinho ao ponto de esquecer as maldades do mundo. Também não foi o primeiro a me prometer mundos e fundos e não será o último a receber uma recusa como resposta.
Existe alguém que impede o fluxo do nosso relacionamento. Não me aprendi a me render, já dizia Renato Russo na música Metal contras as nuvens. Não se trata de covardia, trata-se da confiança que naufragou e antes que eu afunde e me afogue, prefiro sair rumo terra firme.
Pena não aceitar a minha mão.
Cuidei, fiz planos e por um instante acreditei que tudo daria certo entre nós. Parte de mim está profundamente descontente, entristecida e insiste em ficar presa às boas lembranças. A outra, pelo contrário, é grata a ti e nada mais.
Ambos falam a mesma coisa: adeus.
É uma ótima pessoa, merece toda a felicidade. Cumpri o meu papel de Valquíria ao confidenciar minhas visões e intuições na intenção de guardar-te nos campos de batalha e conceder-te a vitória. Aprendi com os semideuses não interferir nas escolhas do homem. Aqui termina o meu legado. Siga o seu destino, seu coração. Viva a sua sina.
Não faço mais parte da sua vida.
Aqui me despeço com uma última mensagem: antes que morra subitamente na erupção de uma ilusão barata e se deixe levar mais uma vez por um amor traiçoeiro e inacabado, pense que qualquer ação, nem que seja uma simples intenção, tem, seguramente, uma reação. As leis do Universo são infalíveis e poucos a levam a sério.
Se sofreres ou fores feliz é porque fez por merecer.
Ainda te amo!

Os aracnídeos não amam

Por Tamires Santana 


Aracnídeos,
Pra cada teia, uma vítima
Pra cada picada, um veneno
Pra cada carpete, uma morada
Indesejados.


Aracnídeos,
A frieza da existência
A ausência de sentimentos
Privação de amor
Infelizes.


Aracnídeos,
Benfeitores como podem
Tragados, contribuem para a cadeia alimentar
Vivos, dedicam-se a terra, aos mares, aos povos
Incompreendidos.


Aracnídeos não amam
De mais puro sentimento,
Apenas a existência
Confinam-se na Natureza
Porque Deus assim quis
Condenados.

Solidão de um aracnídeo





Por Tamires Santana

Viúva negra

Temível
Venenosa
Fatalista
Solitária, isto sim.


Rainha do infortúnio
Presa por uma existência maléfica
Carrega uma sina
Pra gerar precisa matar
Incompreendida, isto sim.


Senhora dos aracnídeos
Alimentar-se do medo
Não manda recado fúnebre
Nem pêsames.


Envolta a tristeza de sua natureza, não ama.